sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

E é quase Carnaval

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Queria que o mundo fosse poesia e não prosa, que a água não se misturasse ao lixo e que o fogo não queimasse coisas importantes. Queria que o sol fizesse sua própria camada de ozônio e que a chuva abençoasse mais vezes os lugares que mais necessitam.

Se meu coração batesse num ritmo diferente, eu faria uma música estilo João Gilberto, com um toque de samba e rezando pra vir uma das inspirações de Chico.

Rezo também para que pessoas não venham a ser mutiladas, sejam em guerras ou doenças, sejam por motorista bêbado ou por acidentes na cozinha. O que me incomoda é ter que suportar calada lavagem de calçadas e carros com aqueles super-potentes-e-caros-jatos por aquelas pessoas que ficam brincando de molhar os pés com a pouco água doce que nos resta.

Também me tira o sono, recentemente, ter descoberto que empresas estatais vendem nossos rios e florestas para transformá-las em energia cara e que polui; acho que o ser humano está perdendo o pouco e necessário bom-senso. O absurdo salta como uma surpresa ruim, que nos faz chorar como criança e que ao mesmo tempo é afagado com palavras de esperança por um dia melhor.

O que não quero é dar uma de inconveniente, mas certas coisas não podem ser vistas através de vendas ou óculos escuros, a verdade iluminada e doída é a única maneira capaz de unir esse povo, que faz música boa.

Queria que esse medo, de meus netos morrerem de câncer de pele, não beberem mais água mineral e terem que lutar contra a natureza furiosa, sumisse com a água das calçadas em dias de chuva e que essa chuva viesse sempre, porque seco já basta os corações dos empreendedores capitalistas.

Queria, por fim, que esse texto virasse poesia e, gradualmente, encontrasse seu próprio ritmo, mas isso só em tempos de puro caos, que já baterá à sua porta.

Texto: Thaty

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