quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Hoje estou bem meia-boca, como dizem. Me pergunto: pra que? Por que? Por que temos que passar por tantas coisas nessa vida? Pra que tanta labuta, pra que levantar cedo todos os dias, sair pra trabalhar, ficar 8 horas socada no mesmo lugar, voltar pra casa, arrumar casa, preparar o que comer... Tudo isso pra chegar onde? Ganhar um dinheiro suaaaaaado, pra depois não sobrar nada, porque foi tudo pra pagar contas. Por que tem que ser assim? Quem foi que inventou essa brincadeira? E por que nunca me perguntaram se eu tava a fim de brincar? Simplesmente me colocaram na roda... Ninguém me perguntou se eu queria mesmo brincar de gente grande. Quando era criança e adolescente, meu sonho era crescer, virar adulta, ser dona do meu próprio nariz. Por que criança/adolescente são tão idiotas? Ontem à noite senti uma falta absurda da casa dos meus pais. Senti falta do colo deles, da proteção deles. Por mais que eles estejam SEMPRE por perto, ontem senti como se essa distância fosse infinita. Me senti desprotegida de tudo. Meu marido é um fofo, faz tudo por mim e mais um pouco. Mas ontem acho que eu queria mesmo o colo que por tantos anos me aninhou. Enfim... hoje estou aqui, cumprindo aquelas citadas 8 horas, e visualizando o monte de roupas que tenho pra passar mais à noite. E quem foi que estipulou que isso deveria ser assim também? Que culpa tenho eu de um bando de loucas há anos atrás terem saído em praça pública queimando sutiãs e brigando pela igualdade dos sexos? Alguém me perguntou se eu queria trabalhar fora por 8 horas, e depois ainda estender esse trabalho pra dentro da minha casa? Essas loucas não imaginaram que trabalhar fora o dia todo, e depois ainda trabalhar em casa seria demais? Ninguém me perguntou sobre isso também, se eu realmente queria participar de mais essa brincadeira. Como dizia minha vó, o que não tem remédio, remediado está! E viva a maioridade!

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