Hoje sinto que a tormenta começa a ir embora. Acho que já consigo escrever sobre o "ser humano" fantástico que era a Susy. Sim, porque, para nós, ela só faltava falar mesmo. Acho que a bem da verdade, foi ela quem nos adotou. A Susy era o tipo de cachorro que você olhava do lado de fora do portão e pegava raiva, de tanto que latia. Mas bastava entrar (claro, junto com a gente, porque estranhos JAMAIS entrariam sozinhos) para se apaixonar por ela. Era doce, absurdamente carinhosa, brincalhona, inteligente. Embora tivesse quase 30 kg, ela muitas vezes achava que tinha 1,5 kg, porque ela pedia colo como se fosse um poodle. Era MUITO engraçado pegá-la no colo. Fora que ADORAVA dormir com alguém fazendo carinho na cabeça dela. Perdi a conta de quantas vezes, quando estávamos sentados à mesa, ela vinha em um por um, chamava com a patinha pra pedir alguma comida. Qualquer coisa que fosse, pra ela já tava ótimo. E a paixão que ela tinha por pizza? Lembro uma vez que terminamos de jantar, daí cobrimos as pizzas que sobraram em cima da mesa e fomos ver TV. Ela subiu na mesa sem que ninguém notasse, cutucou o pano com o focinho, pegou um pedaço de pizza, e saiu na ponta das patas para o quintal, tentando fazer com que ninguém percebesse. Quando ela passou por nós, eu vi alguma coisa na boca dela e disse: Susy, o que é isso? Ela continuou com a cabeça baixa, como se nada fosse, e saiu para o quintal, para saborear o fruto do seu delito. Teoricamente, a Susy era uma "cã" (como gostávamos de chamá-la) de guarda. Não que ela não guardasse a casa, guardava até demais. Mas ela dormia no nosso quarto. Tinha um colchão só dela, um cobertor só dela. Aliás, nosso quarto não, no quarto dos meus pais. Porque no meu quarto, ela dormia na minha cama mesmo. Sim, a "cã" de quase 30 kg dormia na minha cama. E minha rinite adorava isso. Mas eu jamais me importei, fazia inalação, me entupia de remédio, mas não abria mão dela na minha cama. E hoje vejo como isso foi bom... Ela me empurrava, pra ter mais espaço. Sim, ela era bem folgadinha. Bastava a gente pendurar uma rede no quintal e pronto, ela subia antes mesmo de nós. E do mesmo jeito que era doce com a gente, era encrenqueira com os cachorros do condomínio. Vai ver por isso conseguiu alguns desafetos, como do Pit Bull da vizinha, que acabou tirando a vida dela. A Susy AMAVA aquela chácara, amava correr pelo gramado, amava "bater boca" com os outros cachorros, amava liberdade. Uma vez a trouxemos pra cá, pra passar a semana com a gente, num apto. Dois dias depois tive que levá-la de volta, tamanha a tristeza dela de não ter onde correr. Quando chegou lá, ela corria tanto que dava pulos, parecia um canguru. E foi essa liberdade que ela tanto amava, que acabou contribuindo para que o seu "desafeto" a pegasse na rua. Nossa, são tantas histórias que passamos com ela, que eu poderia ficar aqui horas contando. Ela veio para as nossas vidas mais pra ensinar do que pra aprender. Com ela aprendemos o que é amor mesmo, de verdade, sem nenhum interesse. Aprendemos o quanto é gostoso correr num gramado, com o pé na terra, a rolar na grama... Aprendemos que banho é uma coisa muito chata (embora não tenhamos aplicado isso em nossas vidas humanas), a pular de alegria quando estamos com quem amamos, e também aprendemos a defender com unhas e dentes o nosso espaço. A Susy era daquelas "cãs" que era impossível não se apaixonar. Não tinha uma pessoa que fosse lá na chácara e que, na hora de ir embora, não dissesse: Susy, vou te levar pra minha casa. Acho que ela devia pensar assim: Olha, gostei muito de você, mas meu lugar é aqui. E era mesmo. Aliás, essa parte de ir embora era sempre complicada pra nós. A chácara, ou Casa da Susy, como costumávamos chamar, é de esquina, numa ladeira. Quando a gente ia embora, ela ia, do lado de dentro, acompanhando o carro subindo a ladeira. E ficava olhando com aquela cara de: Olha, não vai não por favor... Enfim, essa foi a Susy. Um docinho que Deus nos deu a honra de ter ao nosso lado. É por isso que hoje eu digo:
- Susy, meu amor... Obrigada por TUDO, por ter sido tão especial pra nós, obrigada por ter permitido que fôssemos tão felizes com você... Se comporta aí no Céu dos Cachorros, obedece o São Francisco de Assis e seja boazinha, que um dia eu tenho certeza que a gente vai se encontrar de novo! TE AMAREMOS PRA SEMPRE, NOSSA PRETINHA!
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