Eis que enfim, a diva da semana: sexta-feira! Embora essa semana tenha sido mais curtinha (não tanto pra mim, que trabalhei na segunda-feira), mas sexta-feira é sempre sexta-feira.
Essa semana no programa A Liga (do qual aliás sou fã) a discussão foi sobre prédios invadidos por moradores de rua. Acho que antes do programa eu era uma pessoa e hoje sou outra. Porque, quando o programa começou, eu tinha um pensamento. SEMPRE achei esses invasores um bando de vagabundo e bandido que não tem o que fazer. Mas o programa esfregou na minha cara aquela velha história que pra toda regra existe uma exceção. E eu vi várias exceções. Tudo bem que não se pode generalizar, tudo bem que tem muito bandido mesmo que aproveita de situações assim pra se dar bem e etc etc etc. Tudo bem também que, por exemplo, ser vizinho de um prédio invadido não deve ser nada fácil (como aliás o programa mostrou muito bem). Mas comecei a me perguntar: por que eu me acho com mais direito do que aquelas pessoas? No que eu sou melhor do que aquelas pessoas? Quem em sã consciência quer viver numa situação dessas (tirando os tais bandidos infiltrados que não sabem o que é consciência)? Tinha homem, mulher, idoso, deficiente físico, grávidas, crianças... Essas pessoas são menos dignas do que eu de ter uma moradia, no mínimo, decente? GRAAAAÇAS a Deus eu tenho meu apto, meu teto. Graças a Deus e graças aos meus pais, que puderam me proporcionar isso, a custa de muito trabalho. Mas também não se pode descartar o quesito sorte. Porque muitas dessas pessoas com certeza trabalham mais do que eu.
Daí o programa, que conta com 4 apresentadores, mostrou a realidade dessas pessoas que invadem prédios, na maioria públicos abandonados, como é feita a invasão, a divisão de tarefas dentro do grupo e etc. E cada um dos apresentadores foi pra um canto. Num deles, um tal conhecido como "predinho", estava invadido a mais de 20 anos. Uma das famílias estava lá a mais ou menos 10 anos, e ESPERAVA A 10 ANOS a reintegração de posse. Dá pra imaginar o que é viver dia após dia, sem ter a certeza se amanhã você terá um teto pra viver? Imagina isso um dia. Agora imagina isso por 10 anos! Dá mais de 3 mil dias! Me dá angústia só de pensar. Não to aqui defendendo invasão de propriedade privada, não sou a favor disso. Mas pelo menos uma vez na vida me dei ao trabalho de pensar no outro lado da história. Nesse "predinho" tinha um apto, onde um dos apresentadores dormiu (no caso o Rafinha Bastos) que era mais limpo que o meu apto. A roupa de cama que a senhora deu pra ele era mais limpa que a minha. E essas pessoas ainda são tachadas de vagabundas. Meio injusto eu achei. E daí o Rafinha foi num prédio vizinho, de classe média, classe média alta, perguntar o que os moradores achavam das pessoas do predinho. Eu fiquei tão enojada com a opinião desses moradores, mas ao mesmo tempo fiquei chocada comigo mesma, porque sempre foi a mesma opinião que eu tive. Uma das moradoras tinha o "hábito" de chamar as crianças que moram ali de MACACOS, porque ficavam pulando pra lá e pra cá. Simpática não? Coisa aliás que criança quase não faz. O Rafinha então convidou a "ilustre" moradora a visitar o apto onde ele tinha passado a noite. A senhora do apto a recebeu muito bem, e daí a "ilustre" moradora disse, ao ver o filho dessa senhora:
- Nossa, ele eu nunca vi pulando lá na rua.
E a senhora, muito educadamente, respondeu:
- Não fica mesmo, porque ele estuda o dia inteiro.
Podia ter ido dormir sem essa.
A gente acaba julgando as pessoas e as situações sem nem ao menos se dar ao trabalho de pensar a respeito. É incrível como o "pré conceito" grita na humanidade. Aquelas pessoas não estão ali porque querem ou porque gostam. Estão ali por incontáveis motivos, desses que a vida põe no nosso caminho e a gente nunca para pra analisar ou questionar sobre.
Poooooor outro lado... uma das apresentadoras (a Débora Vilalba) foi mostrar um prédio invadido no centro que PELOAMORDEDEUS!!!! Nunca vi tanta sujeira junta num lugar só. E as pessoas jogando a culpa na prefeitura, que não tinha recolhido o lixo que tava lá. Era MUITO lixo, tudo jogado, esparramado. Me desculpa, mas foi o prefeito que jogou aquele lixo lá? Não né? A coitada da apresentadora tinha a missão de passar uma noite no prédio. Sem brincadeira, devia ter uns 10 ratos pra cada pessoa que estava lá. Tadinha, não deu conta. Eu também não daria. O que prova mais uma vez que pobreza não é sinal de sujeira.
Enfim... são coisas que a gente às vezes tem sim que parar e pensar, às vezes se colocar no lugar do outro (porque pimenta no c... dos outros é refresco) e tentar não mudaaaaar o mundo, mas se começar a mudar alguns pensamentos e atitudes, de repente a mudança que queremos ver no mundo pode começar por nós mesmos. Já é um começo e tanto não?
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