quarta-feira, 19 de março de 2008
Hoje me bateu uma saudade braba da minha vózinha... Porque as pessoas queridas vão embora? Tem tanta gente ruim nesse mundo, porque esses não somem da face da Terra, deixando que só quem realmente mereça o dom da vida fique entre nós? Minha vó era a pessoa mais doce que já conheci na vida! Era meiga, delicada, tinha um amor infinito dentro dela, mesmo com todas as inúmeras adversidades que passou. Teve infância pobre, adolescência pobre, vida adulta pobre. Mas era tão rica de sentimentos, que tudo o mais simplesmente sumia... Era aquela típica vovó dos desenhos... Cabelos branquinhos, pele mais branquinha ainda, as ruguinhas que eu quando pequena dizia que eram risquinhos. Sempre de vestido muito limpo e bem passado, sandálias, no frio colocava blusa... Somos em quatro primos. Apenas eu de menina, como ela gostava de dizer. E ela nunca escondeu sua preferência por mim. Não que ela não gostasse dos outros netos, mas acho que por ser a única menina, e a primeira neta... Ela fazia absolutamente TUDO por mim! Quando pequena, eu passava todos os finais de semana na casa dela. Ia na sexta e só voltava no domingo. Na sexta, meu vô ia me buscar à tarde, depois da escola. Íamos nós dois, eu com uma mochila com minhas roupas, e ele carregava num dos braços minha boneca, e claro, a mala da minha boneca também (se íamos passar o fim de semana fora, eu logicamente levava roupas para minha "filha"), e eu ia de mãos dadas feliz da vida! Pegávamos um ônibus (que eu adorava pegar quando era pequena - criança é besta mesmo!), e íamos pra casa deles. Minha vó sempre estava no portão me esperando. E era aquela festa!!! Brincávamos o tempo todo. Ela arrumava a mesinha da sala com toalha, copos, talheres... e era lá que eu fazia minhas refeições. Ela colocava um pano de prato no braço e dizia que era a garçonete... Me servia guaraná, depois trazia o prato de comida todo arrumadinho... depois perguntava se eu tinha sido bem servida! Fantástica! Brincávamos de casinha, de cabeleireiro, de restaurante... Eu dormia com ela, e meu vô, tadinho, dormia no sofá duro (e nunca reclamou!). Quando eu acordava, chamava por ela, porque não podia levantar da cama sem que ela me desse um beijo! Na hora de ir embora, era o CAOS! Lembro até hoje dos escândalos que eu fazia, porque não queria voltar pra casa. Perdi a conta de quantas vezes meu pai a levava junto com nós, no domingo à noite, e na segunda pela manhã, antes de ir ao trabalho, a levava pra casa dela. E também perdi as contas de quantas vezes meu pai me levava pra casa dela na sexta de manhã, também antes do trabalho. Me tirava da minha cama, eu ainda de pijamas, me enrolava no cobertor, me punha no carro e me levava. E eu fingia que dormia só pra ele me carregar no colo... ainda hoje, se fecho os olhos, posso ouvir o "vão bora, vão bora, tá na hora, vão bora vão bora" que tocava no rádio quando ele me levava. Era bom demais! E o apego que ela tinha pelas plantinhas dela... JESUS!!! O neto que quebrasse levava um puxão de orelha! E ela punha "tanta" força... Ela dorava alimentar os passarinhos com pão molhado, de manhã... Depois que ela se foi, o passarinho vinha de manhã piar no quintal! Fez isso um bom tempo, meu vô colocava o pãozinho, mas ele não comia... Até o dia que o passarinho não voltou mais! Teve uma época que moramos bem perto da casa dela, na rua de baixo pra ser mais exata. E ela não deixava que fôssemos (eu e meu irmão) embora sozinhos! NA RUA DE BAIXO! Ou ela nos acompanhava até a esquina, ou ela fazia meu pai ou minha mãe vir nos buscar! Como não sentir falta de uma pessoa assim? Que fazia o possível e o impossível por mim, que escondia coisas gostosas, pra quando eu fosse lá pudesse comer... Sei que hoje ela está num lugar muito melhor do que esse mundo de merda que a gente vive! Sei que de alguma forma ela olha por mim, e que de vez em quando vem me visitar, pois já me deu sinais disso! Mas queria muito, do fundo do meu coração, poder abraçá-la e beijá-la, nem que fosse por um segundo, e poder dizer o quanto eu a amei, e o quanto eu a amo! E queria muito que ela estivesse aqui nesse momento comigo, fazendo parte de toda a mudança pela qual minha vida está passando! Sei que ela está acompanhando, mas queria a pessoa dela, o corpo dela, presente aqui comigo! Que falta você faz, vózinha! Posso fechar os olhos e sentir seu perfume, ouvir sua voz... Sei que um dia vamos nos encontrar de novo, e, por mais que eu queira viver muito ainda, não vejo a hora que este dia chegue! Enquanto isso, vou seguindo por aqui, com o peito estufando de saudade!
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3 comentários:
Oi, Rê...
me emocionei muito com esse post, me fez lembrar da minha avó, que perdi no ano passado...
Tem coisas que a gente não entende mesmo, é só Deus e a esperança que um dia tudo vai melhorar...
Abraço.
Oi Késia!
É verdade, só Deus mesmo pra nos confortar!!!
bjs
Ah, amiga, mas é um "curta" com carinho, rssss. beijos
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