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Saiu nesta semana, e foi publicado no Estadão, o resultado de uma longapesquisa sobre a qualidade da educação mundial. Aos moldes do nossoconhecido Enem - também com resultados publicados recentemente e que indicama média do aluno nacional em 5,2 (não passaria com essa nota na maior partedas escolas sérias) -, o PISA é realizado em 57 países, testando 20 milhõesde estudantes de 15 anos de idade. Além das provas discursivas é aplicadotambém uma pesquisa sócio-econômica de modo que os resultados indicam tambémo desnível que há entre a educação dos mais ricos e dos mais pobres de cadalocalidade, como de todo o mundo.
As informações aqui estão sendo dadas a titulo de nariz-de-cêra, não queroinformar e portanto não fui conferir números. Se o leitor tiver vontade deconferir os dados com precisão, sugiro que vá às fontes. Quero aqui, tãosomente, fazer uma reflexão sobre os tempos atuais e o que vai pelo mundo eprincipalmente no pais. A partir do que nos dizem esses jovens.
Os paises que participam desta pesquisa somam 90% do PIB mundial. Apesquisa, como exemplo, cobriu todos os estados brasileiros, em todas asclasses, de modo que suas amostragens, ainda que com margem de erro comoqualquer pesquisa, são evidentemente sólidas. Você já deve ter visto estaavaliação nos noticiários, pois o resultado é humilhante para o Brasil, demodo que deve saber do que estou falando. Vamos às nossas humilhações.
São três provas aplicadas nestes paises a cada triênio. O Brasil melhorou noúltimo, e ainda assim figura na posição de número 52 da lista. Ganha doQuirguistão e mais 4, e toma de lavada de todo o mundo, literalmente.
Há no Brasil, como era de se esperar, um grande vão entre os resultadosobtidos pela elite frente aos menos favorecidos. Pode-se dizer de outraforma: os alunos de escolas pagas se saem melhor do que os das escolaspúblicas. Isso parece indicar que o ensino público nacional é uma porcaria.
Sim, é verdade, o nosso ensino público é horrível, mas a média que os alunosde escolas pagas do Brasil conseguiram neste teste é mais baixa do que aobtida por alunos menos favorecidos do mundo todo. É simples: nossa elite épior do que a ralé do mundo todo. Pra usar um termo bem inadequado mas quepode muito bem nos qualificar. Somos, portanto, a ralé da ralé.
Partindo deste fato, é preciso conhecer de perto nosso fracasso. Osestudantes de Brasília, por exemplo, se sobressaem diante dos de outrosestados e até se incluem numa média internacional. Fogem do estigma. Mas aeducação pública de Brasília é uma das que mais gasta . O aluno brasiliensesó custa menos aos cofres públicos do que os de outros três estados, entreeles São Paulo. E o mais rico estado do pais não figura, nesta avaliaçãonacional, em nenhuma das três provas (ciências, matemática e leitura) jamaisacima do 11º lugar. Nomeando o fracasso, PT e PSDB estão iguais na misériaeducacional e cultural, e o dinheiro não aparente ter muita serventia quandonão há um projeto claro, sólido e eficaz a ser seguido. Aliás, São Pauloapresenta um baixo rendimento nos alunos de elite, o que aponta que o ensinoparticular é caro e ruim. Ou mais, e essa parece ser a evidência maisdolorosa: nossos alunos chegam ao ensino médio já incapacitados pelaeducação que receberam em casa, na escola e pelo que é culturalmente o seuambiente , e isso inclui TV, rádio, valores etc. A escola é ruim mas osalunos também fazem sua parte.
São cinco paises da América do Sul nesta avaliação. Somos os piores,evidentemente. E o Chile, com seu governo socialista é o mais eficiente, aocontrário dos que ganham mais espaço na mídia por estas bandas. E melhora acada avaliação.
Claro é o quadro. Somos um dos maiores Pibs do mundo, figuramos no topo emmá distribuição de renda e estamos no fundo do poço quando pensamos em quemserão os brasileiros a tomar as rédeas do pais em 10 ou 15 anos. Somos umalegião de boçais, com valores boçais, achando perdoável que nosso lídermáximo diga que ³nóis vai resorve esse pobrema, como nunca na história destepais². E sem resorvê! E verdade seja dita: tínhamos um professor no poder,antes do anarfa, e apesar dos ventos internacionais mais desfavoráveis quepodiam atrapalhar, a qualidade de nosso ensino já era quase esta que está aí.
Você já ouviu milhões de vezes que as crianças são o futuro do pais. Éóbvio. Quem vai fazer este pais crescer, ou não crescer?E fica a questão: estamos construindo estradas, portos, com um bomplanejamento de produção de energia renovável e não poluente? Temos emandamento uma boa reestruturação de malha rodoviária? Oras, a cada anomilhões de novos carros circulam pelas ruas e estradas? Temos um bom projetopara nossa malha aérea, estamos fazendo aeroportos e criando opções em malhaferroviária e aproveitando nossas condições geográficas favoráveis para usarmais o transporte pela água? Temos infra-estrutura pra crescer? Temos gentepra tocar esse crescimento? Uma boa geração como Coréia e Japão prepararampara sair de um buraco gigantesco no século passado? Não. Não temos nadadisso. Porque somos burros. Simples, né?
Ah, mas tem o bolsa-família. Eu sei, eu sei... infelizmente eu sei.
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