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A construção da democracia no Brasil...
São três da madrugada. O PT abre a porta silenciosamente e entra em casa na ponta dos pés. Não adianta. O PSDB está sentado no sofá, de cara amarrada.
“Onde você estava vagabundo?”, pergunta o PSDB.
“Oi, amor”, responde o PT, com bafo de cachaça. “Pensei que você já tinha dormido!”
“Você não vale nada. Aposto que estava na vagabundagem com o imprestável do PMDB!”
“Ah, não enche o saco, mulher! Estou cansado. Nunca na história desse país eu trabalhei tanto...”
O PSDB, olhos cheios de lágrimas, começa a gritar feito uma agência reguladora sem poder efetivo.
“Seu... bêbado imprestável! É assim que você retribui o meu amor? Eu sempre achei que um dia nós viveríamos felizes juntos. Eu com minha capacidade intelectual e você com sua mobilização de massas. Mas não... você me trata feito um capacho. Não sei por que me iludi tanto...”
O PT senta do sofá, tira os sapatos e os atira no meio da sala.
“Você se iludiu porque quis, mocréia!”, responde o PT. “Nunca te prometi nada. Você é que fica correndo atrás de mim!”
“Mas bem que você gosta de chegar em casa e encontrar tudo arrumadinho, né, seu imprestável?”
“Arrumadinho é o cacete, mulher! Esta casa estava caindo aos pedaços!”
“Mentira! Tudo mentira! Ai, meu deus, não sei porque me ainda tenho ilusões com você! Você nunca vai largar aquela vagabunda pra ficar comigo! Eu sei!”
O PSDB continua falando, mas o PT, completamente bêbado, já adormeceu sentado no sofá. Uma baba bovina escorre pela boca do Partido dos Trabalhadores. Resignado, o PSDB vai até o quarto, pega uma cobertor e joga em cima do PT adormecido. Lá fora já é madrugada alta. O PSDB olha as estrelas com tristeza e pensa:“Um dia ele ainda vai me amar...”
Edson Aran é cronista do Blônicas.
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