sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Primeira-dama. (De Milly Lacombe)

Recebo um email: “O que faz Dona Marisa Letícia pelo país?” Pelo país, difícil saber. Mas o que ela tem feito, tá na cara, na bochecha, na testa, ao redor dos olhos. Até a presente data, não ficamos sabendo de nenhuma ação humanitária assinada por ela, mas soubemos que foi a primeira-dama quem pediu ao jardineiro do Planalto para recortar aquele lindo canteirinho vermelho em forma de estrela.Quer conhecer Inácio, coloque-o no palácio. Quer conhecer Marisa? Bem essa é mais enigmática porque, por uma benção divina, e ao contrário do marido, nos poupa de frases inócuas. Apesar disso, Marisa está sempre ali, sorrindo ao lado de seu homem. Sorria, inclusive, enquanto o marido era vaiado no Maracanã. Um sorriso alienado, desses que não entende muito bem o que está acontecendo.Ah, sim, Marisa fez outra coisa: solicitou cidadania italiana. E conseguiu. Outra ainda: quando perguntada o que esperava do futuro, disse: Um mundo melhor para meus filhos. Também tem conseguido.Acho que foi mais ou menos isso o que ela fez pelo povo brasileiro em cinco anos como primeira-dama. Uma façanha: menos que Roseanne Collor. Merece registro. Passou e, não fosse pela mudança na fisionomia, ninguém teria percebido. Quase tão ativa quanto o senado, a câmara e o marido - mas, pelo menos, sua falta de iniciativa não nos fere.Não que fosse dar um trabalho daqueles fazer alguma coisa. Afinal, trata-se da primeira-dama, e, para ela, portas se abrem como em mágicas. É, acima de tudo, uma poderosa e nobre função. Ou deveria ser. Mas nossa first-lady, que passou 20 anos vislumbrando a posição, escolheu não fazer nada. Simplesmente isso.Laura Bush, que, assim como Marisa, casou com um boçal e foi longe, é um pouco mais ativa e já chegou a fazer discursos presidenciais oficiais em nome do marido. Por aqui, não vai pegar. Um, porque nosso líder jamais abriria mão de sua atividade predileta - para não dizer única (só restaria a ele viajar pelo mundo). Outra, porque Dona Marisa Letícia não teria o que dizer - mais ou menos como o marido, que o faz em voz alta.E assim vivem felizes no palácio, a Primeira-Dama e o Último-a-Saber. Como diria minha amiga Fernanda Cirenza, pior do que a realidade, só mesmo as perspectivas.

Milly Lacombe é cronista do Blônicas.

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